quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

FAIA DA ÁGUA ALTA - LAMOSO

Fica aqui mais um testemunho desta feita em vídeo, da FAIA DA ÁGUA ALTA-LAMOSO.

Só agora tive algum tempo disponível, que me possibilita-se a realização desta peça, espero que esteja do vosso agrado. Já agora, não percam a oportunidade de ali fazer uma visita, são cada vez mais raras as vezes que as chuvas, nos proporcionam espectáculos destes.


---Para os interessados, este vídeo também já se encontra no meu canal do Youtube.


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terça-feira, 12 de janeiro de 2010

LENDAS VIVAS




Tiu Zé Maria de Urrós e o saudoso, Tiu Eduardo de Travanca, naturais do Concelho de Mogadouro.
O seu legado dispensa qualquer outro comentário ou anotação.
Tive o prazer de ter convivido com ambos, o meu primeiro contacto com uma Gaita de Foles foi-me proporcionado pelo Tiu Zé Maria.
Ainda me aventurei nas difíceis lides deste instrumento, mas infelizmente, não fui o suficientemente aplicado.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

RETRATO DE TRÁS-OS-MONTES 1976

Retrato de Trás-os-Montes do ano de 1976, por António Reis e Margarida Cordeiro, esta última Transmontana, natural do Concelho de Mogadouro, da aldeia de Bemposta.
Trás-os-Montes, o primeiro filme que assinou com António Reis, tornou-se uma referência para toda uma geração, e 34 anos depois da estreia continua a ser a súmula de algo português.

“Para um povo e para um país à procura de si próprios”, escreveu João Bénard da Costa, “é uma das poucas pedras do caminho que nos pode ajudar a reencontrar a direcção”.

Já enviei alguns comentários a quem colocou este vídeo no youtube, na tentativa de que este me pudesse informar onde poderia encontrar a continuação do filme, mas até ao momento ainda não obtive resposta alguma.
Na legendagem, podemos identificar entre outras, as várias aldeias do Concelho de Mogadouro, onde o filme foi rodado, logo na parte inícial, salta-nos de imediato á vista, a Fraga da Letra de Penas Róias.
As personagens intervenientes são fictícias, mesmo assim este vídeo trás muitas e boas recordações, assim que me for indicado onde poderei encontrar a restante parte deste filme, irei colocá-la também aqui, desfrutem....


quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

LOBOS E PASTORES

Histórias de lobos, são muitas, as dos tempos em que este era o único inimigo do homem provinciano.
Na nossa terra, com fortes raízes, no que toca à criação de gado ovino e caprino, o contacto entre o homem e lobo, era parte integrante do quotidiano do homem transmontano.
Ainda que actualmente se continuem a verificar alguns encontros pontuais, entre estes eternos rivais, o número de alcateias, tem vindo a diminuir drasticamente nos últimos vinte anos.
Actualmente, no Distrito de Bragança existem cerca 20 alcateias conhecidas, que se têm mantido estáveis, graças à sua monitorização por parte das entidades competentes, sendo que 5 delas têm como zona territorial o P.N.D.I.
O lobo, é considerado o super predador do Ecossistema Ibérico, a falta de presas naturais, em parte provocada pelo acção homem, faz com que este não poucas vezes, desça das serras para atacar em muitos casos, o único meio de subsistência de alguns pastores, o seu rebanho.
Francamente, o lobo é um animal pelo qual desde sempre tive grade fascínio e tenho pena de que hoje em dia, as suas histórias façam apenas parte dos contos para crianças.
Recolhi algumas imagens, de vários documentários realizados pelo famoso biólogo, Félix Rodriguez de la Fuente, e com elas realizei um pequeno vídeo, por ser sabido que este esteve em várias zonas da nossa região com por exemplo Miranda do Douro, estudando as diversas espécies autóctones , e aqui recolheu imagens para muitos dos seus documentários, de salientar no nosso concelho, as aldeias de Bemposta e Travanca.
Não me é possível afirmar que algumas das imagens que aqui vos apresento, tenham sido recolhidas em algum deste locais, contudo poderá confirmar que a morfologia do terreno e a vegetação se nos irá tornar muito familiar, dando a sensação de terem sido em algumas fases do vídeo, recolhidas numa destas duas aldeias do nosso concelho, ou no concelho limítrofe de Miranda do Douro.
Aliei a estas imagens uma música de Galandum Galundaina, cuja letra relata nem mais nem menos que um desses encontros entre pastor e lobo, espero que esteja do vosso agrado.

----Não estou de acordo, que os pastores tenham de pagar com as suas cabeças de gado, a subsistência desta espécie, mas tenho plena convicção da possibilidade de uma convivência saudável, entre o homem e a natureza.


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quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Provérbios do mês de Janeiro

- Trovão em Janeiro, nem bom prado nem bom palheiro.
- Em 1 de Janeiro sobe ao outeiro: se vires verdejar põe-te a chorar; se vires terrear põe-te a cantar.
- Ao luar de Janeiro, se conta o dinheiro.
- A água de Janeiro, vale dinheiro.
- Bons dias de Janeiro, vêm-se a pagar em Fevereiro.
- De flor de Janeiro, ninguém encheu celeiro.
- Janeiro fora, mais uma hora, e quem bem contar, hora e meia há-de achar.
- Uma invernia de Janeiro e uma seca de Abril deixam o Lavrador a pedir.
- A pesca de Janeiro vale carneiro.
- Janeiro frio e molhado enche a tulha e farta o gado.
- Não há luar como o de Janeiro, nem amor como o primeiro.

Os Galhegos e a Ponte de Remondes


---Há dias em visíta por um dos blogs da terra, o ho mogadoyro, e depois de ali ter lido um artigo relacionado com uma reconstrução a que a ponte de Remondes foi sujeita, após uma cheia que parcialmente a terá destruído, veio-me à memória, um caricato epísodio fictício suponho, acerca da sua primeira edificação.
Desconheço se terá alguma contextualização histórica válida, mas acho pertinente colocá-lo aqui, quanto mais não seja para tentar evitar que este, do qual tomei conhecimento pela tradição oral, se perca no tempo….
Quando ouvi esta história, deveria ter uns 16 anos, foi-me contada pelo tiu Daniel de Remondes, numa das muitas deslocações que o Rancho Folclórico e Etnógrafico de Mogadouro realizava naquele tempo da sua fundação e se bem me lembro o tiu Daniel terá começado mais ou menos assim:

Quando os Távoras senhores do Mogadouro da sua época, deram ordem de construção para a ponte, em data que rondaria o ano de 1580/90, recorreram á mão-de-obra Galega, para a sua edificação.
Uma vez em Portugal os nuestros hermanos, Galhegos, como o tiu Daniel lhe chamou, afirmavam estar muito contentes, pela maneira como eram tratados pelos Portugueses destas terras, dizendo que estes preferiam dar-lhes a eles Galhegos, as couves maduras para o caldo, enquanto nós Portugueses ficava-mos com as verdes para nós, ou seja, dávamos-lhes as amarelas, ás quais eles pela sua coloração, julgavam estarem maduras, e nós toca a comer caldinho verde, enfim….
Bom, certo dia quando já todos os arcos da ponte se encontravam construídos e as obras de assento do pavimento se iniciavam, depois de um árduo dia de trabalho, o cozinheiro de serviço, preparava-se para servir um belo caldo preparado com as famosas couves maduras, a páginas tantas, o cozinheiro com uma grande colher de pau mexia o interior da grande panela onde preparava o mesmo, ao debruçar-se sobre esta para facilitar o trabalho, terá deixado cair para dentro da panela um artefacto, que na época utilizavam para acender o lume, ao qual o tiu Daniel na altura apelidou de tchismes do lume.
Bom não imagino o que seja, lembro-me de ele me ter dito que seria algo semelhante a uma torcida de serapilheira, com cerca de 10 cm de comprimento, e que ficava preto de ser aceso.
Continuando, quando o caldeirão do caldo já se encontrava sobre a mesa e grande parte dos homens já se tinham servido e repetido do apetitoso caldo, "escusado será dizer que não havia mais nada, daí se tornar apetitoso", chegou a vez do cozinheiro se servir da sua parte, eis que ao derramar o caço no seu prato, deu conta do referido e estranho objecto. Como era de noite e a iluminação escassa, não conseguiu identificar de imediato de que se tratava, aquilo que via no seu prato.
Depois de voltas e mais voltas, o cozinheiro acabou por confundir, o pedaço de torcida com uma salamandra.
Ciente da desgraça que se avizinhava para aqueles que já tinham comido o caldo, e que seriam vítimas do coxo do réptil, por este ter sido cozinhado com o caldo, virou-se para os demais e disse:
-“ Olhai rapazes, isto que tenho no meu prato, não sei que raio é, se é Salamandra ou algo mau, mas os que já comeram, que vão mas é a Mogadouro, tomar sal amargo para limpar o coxo.
Ao tomarem o sal amargo, iriam provocar o vómito, sendo na altura, esta a única forma de salvarem as suas vidas.
Fácil será de imaginar, o desespero daqueles homens, que ladeira acima corriam, movidos pela ânsia de se salvarem.
Para quem conhece a ladeira de Remondes, e ainda por cima para quem a tenha de subir, certamente não é dos terrenos mais rápidos de percorrer a quem tem pressa, certo é que enquanto os desgraçados se esgadanhavam direitos ao Mogadouro, o cozinheiro intrigado pelo estranho sucedido, continuou de volta do prato, na tentativa de descortinar do que realmente se tratava, até que a certa altura, deu conta de que efectivamente se tratava do pedaço de torcida que quando se debruçara na panela para mexer o caldo, lhe caíra do bolso do casaco. Sem perder tempo acorreu junto á margem do Rio Sabor do lado de Termo de Castro Vicente, e com a força que podia, gritava:
- Ou..., olhai que não é nenhuma salamandra é um tchismes do lume..., a esta altura os homens que acorriam a Mogadouro, estavam mais ou menos na zona da ladeira, onde hoje se encontra a capela, e com o barulho provocado pelo caudal de inverno do rio, e dos gritos desesperados dos menos crentes da salvação, o que ia mais atrás respondeu:
- “O que já morreram dois…”
É de prever que ao ouvirem o que o mais tardego dizia, terá acontecido um autêntico, esfola, mata, agarra ai quem me ajuda, até chegarem a Mogadouro.
Chegados ao destino, de imediato tomaram o sal, vomitaram, aguardaram por algum sintoma que não apareceu e uma vez que se julgaram cientes, de que o sal os tivesse curado, rumaram de novo ao acampamento junto á ponte.
Seriam já 2 horas da manhã e sob um belo luar de Janeiro, ao passarem em cima da ponte, esfaimados pelo desgaste da corrida, reparam que dentro do rio um estranho objecto reluzia, redondo e branco, o qual lhes fez lembrar de imediato um belo queijo, miraram voltaram a mirar, até o estômago ter chegado à conclusão que efectivamente se tratava de um queijo, e do bons….
Tinham de arranjar maneira de o tirar….Eis que surge uma ideia, por parte de um dos que ali se encontravam e orgulhoso, disse para os demais:
- Olhai-de que tenho uma ideia, eu como sou o mais forte fico em cima da ponte, debruço-me para o rio, agarro um pelas pernas e os outros sobem pelas minhas costas e vão descendo pelas dos outros um a um e um de cada vez , formando um cadeado ate chegar ao rio e agarrar-mos o queijo.
E aí está, meu dito… meu feito, já debruçado e agarrado o primeiro pelas pernas, começam os outros a subirem-lhe pelas costas e penduram-se um a um em cadeado até chegarem ao rio.
Já lá iam quatro, o quinto pergunta, para o fortalhaço:
-Como é? aguentas?
-Claro que aguento, não me conheces?
Pendura-se o sexto, e quando este ia a meio da descida, eis que se vira o homem da força:
- Olhai rapazes, eu aguento-me mas segurai-vos só um pouquinho, que quero cuspir nas mãos, e lá vai disto, caiu tudo ao Sabor, este não perdeu tempo e disse:
-Afinal já lá estáveis e não dizíeis nada, agarrai e trazei-o p´ra cima. Escusado será dizer, que o queijo não era nenhum e se tratava apenas do reflexo da lua no leito do Rio.
Bom, e fica por aqui esta breve história em jeito de anedota, falta-me uma outra parte, de que não me recordo já, todavia, sei que quando os nosso protagonistas e hermanos galhegos, assentavam o pavimento da ponte, esta terá desabado, pela falta de assímetria dos arcos de volta perfeita, e que está associado á queda, mais um epísodio cómico, mas os anos já me o varreram da memória.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

MENSAGEM DE ANO NOVO

O Mogadouro Terra e Gente, deseja a todos os seus, visitantes, colaboradores e amigos votos de de um próspero Ano Novo!!!!