terça-feira, 29 de dezembro de 2009

As malditas ventoinhas......

---Bom, estas é que são então as amaldiçoadas ventoinhas, que segundo os mais velhos da Aldeia da Castanheira, "espantam as nuvens", afirmando que desde que estas lá foram instaladas, nunca mais ali voltou a chover como antes, ahhhh.....
---Bem, ao que se tem vindo a verificar este ano, arrisco em dizer que devem estar desligadas...

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

VISITA À FAIA DA ÁGUA ALTA EM LAMOSO

--- Aproveitei estas mini férias de Natal e as abundantes chuvas que se têm abatido um pouco por todo o país, para realizar a visita à Faia da Água Alta em Lamoso, movido pela imensa curiosidade que tinha em conhecer este local, demandei a Lamoso para comprovar a beleza que já me havia sido relatada, daquele local.

--- Já em Lamoso, julguei que ainda não seria desta feita que conseguiria ver a famosa cascata, uma vez que após ter questionado a sua localização a dois habitantes, que muito atarefados se encontravam julgo eu, a efectuar os preparativos para a Fogueira do Galo junto da Igreja local, me responderam: “ Bô, vá-se mas é deitar que num se passa para lá, a ribeira já passa por cima da ponte e cortou o caminho.

--- Desiludido, mas não convicto do que me diziam, segui o caminho que me indicaram, e realmente deparei-me com a veracidade do facto. Mas a teimosia, virtude ou defeito, venceu, e obriguei o Panda a fazer travessia.



Indeciso e receoso da travessia....


Pelo caminho fui disparando um ou outro flash....


O ribeiro precipitava-se para a majestosa queda de água de 40 m de altura.
A 200 m deste local, já era audível o barulho provocado pelo violento impacto das águas na rocha.

sábado, 26 de dezembro de 2009

FOGUEIRA DO GALO 2009


--- Mais um Natal e mais uma vez se conseguiu manter a tradicional Fogueira do Galo.
Desta feita a cargo da Comissão de Festas de Santa Ana 2009/2010.
A afluência de público, depois da missa penso que não foi a que se esperava, mas no âmbito geral esteve bem principalmente depois dos cafés terem fechado.




FOGUEIRA DO GALO 2009

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domingo, 13 de dezembro de 2009

ORAÇÃO A SANTA BÁRBARA

--- Velha oração a Stª. Bárbara, dizem que resulta ou resultava, uma vez que hoje em dia, acho que nem mesmo as trovoadas são como outrora.
--- Conta-se ainda que em certas aldeias, em dias de grande tormenta, se corria para a igreja, caso ali existisse uma imagem de Sta. Bárbara, e em braços a traziam para o adro, para então em redor dela se ajoelharem e rezarem à virgem, para que a natureza se acalma-se.

Santa Bárbara ou (Bárbla) bendita, que no céu estais escrita, e na terra assinalada, livrais-nos senhor desta grande trovoada.


--- É provável que possa existir uma ou outra versão diferente.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Provérbios do Mês de Dezembro

- Em Dezembro descansar, para em Janeiro trabalhar.
- Caindo o Natal à Segunda-feira, tem o lavrador de alugar a eira.
- Depois que o Menino nasceu, tudo cresceu.
- Dezembro quer lenha no lar, e pichel a andar.
- Do Natal a Santa Luzia, cresce um palmo o dia.
- Assim como vires o tempo de Santa Luzia ao Natal, assim estará o ano, mês a mês, até final.
- Natal a assoalhar e Páscoa ao mar.
- Noite de Natal estrelada dá alegria ao rico e promete fartura ao pobre.
- Dia de S. Silvestre não comas bacalhau que é peste.
- Em dia de Santa Luzia cresce a noite e minga o dia.
- Quando o ganho é fácil a despesa é louca.

-Quem pouco ganha e muito gasta, se não herdou, roubou.


AS LENDAS

De carácter utópico, fantástico ou mesmo fictício, as lendas combinam grande parte das vezes, factos reais e históricos, com factos irreais, que na sua maioria, resultam apenas do produto da imaginação do homem.

Com exemplos bem definidos por todo o país, por vezes as lendas fornecem explicações plausíveis, e até certo ponto aceitáveis, para coisas que não têm explicação histórico científica comprovada, como acontecimentos misteriosos, mitos, ou sobrenaturais.

Trás-os-Montes, possui felizmente um vasto património de tradição oral onde além de outros se englobam as lendas.

Dado ao fato de serem repassadas oralmente de geração a geração, estas contêm pormenores próprios de cada orador, pelo que habitualmente surgem várias versões semelhantes da mesma lenda.

Assim aqui ficam dois exemplos de entre muitas outras lendas, do nosso Concelho.


LENDA DO CASTELO DE VALCERTO


Nos finais do séc. XI princípios do séc. XII, finais do reinado de D. Afonso Henriques e já quando seu filho D. Sancho exercia o poder régio, em plena época da reconquista crista, a primitiva linha de limites do condado Portucalense com o Reino de Leão, estava fixada ao longo da margem esquerda do rio Sabor, até à sua confluência com a Ribeira de Angueira e Rio Maças.
Esta raia era vigiada por fisícas sentinelas: o Castelo de Milhão, o Castelo de Santulhão (ambos já desaparecidos), o Castelo de Outeiro de Miranda do Douro (em ruínas) e o Castelo de Algoso.
Complementavam a defesa principal do sector nordeste transmontano, os Castelos de Penas Róias, e de Mogadouro.
Conta a lenda que aquando da ordem de edificação do actual Castelo de Algoso, dada por um Sr. Local, Mendo Bofino ou
(Mendo Rufino), ter-se-á gerado uma discórdia no que toca ao local onde este deveria ser edificado e por quem, esta discórdia viria a gerar uma disputa entre as povoações de Algoso e Valcerto, que reivindicavam ambas a construção do Castelo.
Algoso, defendia que este deveria ser construído pelos seus habitantes, no cimo do cabeço da Penenciada,
(localização actual), sita na margem Norte da Ribeira de Angueira, enquanto que por sua vez a povoação de Valcerto, defendia que a fortificação deveria ser erguida, por gentes daquela povoação, na margem sul da mesma Ribeira termo pertencente a Valcerto.
A falta de consenso gerada, veio a resultar num acordo mutuo, que consistiu na decisão de se construírem dois castelos idênticos, um em cada margem, sendo que aquela povoação que finaliza-se em primeiro lugar sua construção, ditaria a continuidade da mesma, enquanto que o que por último se edifica-se, seria demolido após a sua conclusão.
Após alguns meses de trabalho árduo por parte de ambas as povoações, Algoso, verificou que já mais seria capaz de acompanhar o ritmo que Valcerto impunha na construção do seu castelo, pelo que se viu obrigado a recorrer á chamada
(batota), recrutando gente de várias povoações vizinhas, tendo vindo a finalizar em primeiro lugar a construção do seu Castelo, e como constava no prévio acordo o Castelo de Valcerto, após a sua conclusão terá sido completamente demolido.




Segundo me foi contado, esta lenda surge da falta de explicação por parte dos habitantes de Valcerto ao longo dos tempos, para a existência de uma enorme quantidade de pedras, depositadas num local do termo que hoje em dia se apelida de Castelo, uma vez não haver conhecimento de qualquer construção que ali tenha existido em outros tempos, devido ao local ser de difícil acesso.

LENDA DE CASTRO VICENTE



Conta a lenda que, pelo século VIII da era cristã, quando os Mouros dominavam ainda a Península Ibérica, por terras do nordeste transmontano, havia um Mouro de seu nome Tarik que se encontrava na fortaleza do Monte Carrascal onde se localiza hoje o Santuário de Nossa Senhora de Balsemão, da freguesia de Chacim, (Concelho de Macedo de cavaleiros), este impunha as mais cruéis condições às populações cristãs. Entre essas prepotências, impôs o vil tributo das donzelas o qual consistia em que cada uma que casasse, em vês de passar a noite no leito nupcial tinha que passá-la com o execrável rei mouro.

Acontece que uma formosa donzela de seu nome Teodolinda do lugar de Castro foi pretendida pelo filho do chefe " dos Cavaleiros das Esporas Doiradas" (de Alfândega).

A jovem honesta e digna recusava-se ao casamento, para não se sujeitar ao "tributo das donzelas "que o infame Mouro do Monte Carrascal exigia.

O noivo garantiu-lhe que o Mouro não a obrigaria a prestar esse tributo, porque no dia do casamento mobilizaria os "Cavaleiros das Esporas Doiradas",

para fazerem frente ao cruel e tirânico Mouro.

Numa manhã radiosa, os noivos e muito povo dirigiram-se para a capela do Santo Cristo da Fraga, onde se realizaria os esposais. Depois da cerimónia, quando o cortejo regressava a casa dos pais da noiva, um possante e fero Mouro, cumprindo as ordens do "Emir" do Monte Carrascal raptou a

noiva e colocou-a no cavalo, sendo acompanhando por uma grande e terrível escolta de soldados mouros. Ainda não tinham chegado os "Cavaleiros das

Esporas Doiradas".

Quando estes chegaram dirigiram-se para o Monte Carrascal, seguindo à frente o noivo muito desorientado. No sopé do Monte Carrascal, travou-se um terrível combate entre Mouros deste monte e os Cristãos de Castro, de Alfândega e

demais povoações circunvizinhas.

No ardor do combate, apareceu no céu, a imagem branca de Nossa Senhora, qual Divina Enfermeira, com um vaso de bálsamo na mão a curar os Cristãos feridos que, de novo, voltaram para o combate.

O noivo conseguiu penetrar na alcova do cruel e tirânico Mouro, " o Emir" a quem, com uma espada, decepou a cabeça; e ao seu encontro, vem a sua esposa já desfalecida, mas ilesa do nefando " Tributo".

Deste acontecimento resultou o nome de Castro Vicente (em documentos antigos aparece com a designação de Vencente), pela vitória alcançada. Alfândega, nome de origem árabe (Alfândaga) recebeu o nome de Alfândega da Fé. A chacina dos Mouros deu nome a Cachim e o bálsamo com que nossa senhora trazia na mão para corar os cristãos, terá dado o nome a Balsemão.


in: Cancioneiro Transmontano


Acerca da capela do Santo Cristo da Fraga, que se refere nesta Lenda, conta-se também uma outra lenda bem curiosa, que desde já fica prometida a sua publicação neste Blog, assim que tenha possibilidade de recolher algumas fotos do local, para que esta seja de melhor entendimento por parte do leitor.


sábado, 5 de dezembro de 2009

CÃO DE GADO TRANSMONTANO

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TRÁS-OS-MONTES

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ADIVINHAS

Não raras vezes me recordo de em criança, me serem perguntadas algumas delas, aqui ficam algumas adivinhas retiradas do Cancioneiro Transmontano, não vale ver as respostas antes de ler a adivinha….

À meia-noite se levanta o francês.
Sabe das horas, não sabe do mês.
Tem esporas, não é cavaleiro.
Tem serra, não é carpinteiro.
Tem picão, não é pedreiro.
Cava no chão, não acha dinheiro.


Resposta: o galo.


À meia-noite se levanta o francês.
Sabe da hora e não sabe do mês.
Tem coroa e não é rei.
Tem esporas e não é cavaleiro.
Pica na terra e não ganha dinheiro.


Resposta: o galo.


Sou verde por natureza,
E de luto me vesti,
Para dar a luz ao mundo
Mil tormentos padeci.

Resposta: a azeitona.


Tenho um brinco com que brinco.
De tanto brincar me aborreço!
Quanto mais brinco com o brinco,
Mais a barriga lhe cresce.


Resposta: o fuso com a maçaroca.


Eu ao mundo dou governo,
Ao mundo governo dou.
Quando se esquecem de mim,
O meu governo acabou.


Resposta: o relógio.


Eu rindo-me, abro a boca,
Deito fora do meu peito
Uma menina mais linda que eu!
Quem a leva vai contente,
Eu fico com quem me deu…


Resposta. o ouriço.


Tem asas e não voa,
Tem pernas e não anda.
Tem barriga e não come
E dá de comer a quem tem fome.


Resposta: o pote.


Às avessas, será nome
Bem fácil de decifrar.
As direitas, só à noite
Se poderá contemplar.


Resposta: Lua.


Marme, se as ondas do mar fadais lá
Se um d e um a lhe acrescentais
Certo é que adivinhais.


Resposta: marmelada.


O que é que é, que mal entra em casa, logo se põe à janela?


Resposta: o botão.